Realizado pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento, estudo aborda, também, o volume de investimentos por colaborador durante o ano e formação à distância

Os resultados da pesquisa “O Panorama do Treinamento no Brasil”, que serão apresentados durante o 30º Congresso Brasileiro de Treinamento e Desenvolvimento (CBTD) 2015, realizado entre 25 e 27 de novembro, em Santos (SP), mostram que o volume de horas formais de treinamento por colaborador nas empresas é de, em média, 16,6 horas por ano. O tempo é quase a metade do realizado nas organizações americanas, que somam 31,5 horas anuais.

A pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), com o apoio da Association for Talent Development (ATD) e em parceria com a Integração Escola de Negócios está completando sua 10ª rodada e ouviu 425 empresas do setor de Treinamento e Desenvolvimento (T&D).

O levantamento também revelou que o investimento médio das empresas por profissional é de apenas R$ 518. Nos Estados Unidos, esse valor é mais que o dobro, chegando a US$ 1208. Nas corporações nacionais com mais de 500 colaboradores, o orçamento médio anual em Treinamento e Desenvolvimento é de R$ 1,38 milhão. O estudo aponta, ainda, que as organizações, em sua maioria, estão baseando sua verba anual em T&D nos gastos dos anos anteriores (70%). Elas também se guiam pelos seguintes fatores: planejamento futuro (59%) e porcentagem sobre o faturamento (32%).

A distribuição de ações de treinamento é feita, em maior parte, aos não líderes (58%), porém, os líderes ganham uma parcela relevante nessa divisão. 42% da alta liderança e gerência e supervisão recebem meios e métodos de T&D. O diretor de comunicação da ABTD, Igor Cozzo, explica que o volume de treinamento para o alto escalão é grande, pois as corporações veem que é mais barato formar líderes do que buscá-los no mercado. “É muito mais vantajoso desenvolver o profissional que já está inserido na sua cultura e valoriza-lo em vez de procurar um colaborador que se enquadre nas suas expectativas e que se encaixe no perfil e nos valores da empresa”, observa.

Entre os principais assuntos que farão parte dos treinamentos, de acordo com a pesquisa da ABTD, está Liderança (80%), Atendimento ao Cliente (60%) e Tempo (60%) para as empresas de Terceiro Setor; Comportamental (41%) para as de Serviço; Técnico (37%) para a Indústria; Obrigatório (60%) para o Setor Público e Vendas (71%) para o comércio.

Formação a distância

O e-learning ou EAD registrou crescimento de 33% em 2015 ante o ano anterior, sendo que este tipo de formação representa 15% do total de treinamentos nas empresas. As ações presenciais ainda são maior parte, com 62% de presença. O sócio diretor da Integração e um dos autores do estudo, Fernando Cardoso, comenta que os treinamentos a distância sem uso de tecnologia ainda é alto se comparado à oferta de ferramentas disponíveis no mercado. “38% das empresas utilizam esse método de educação usando apostilas, por exemplo. Esse número aumentou 10% em relação a 2014, o que pode ter sido motivado pela crise econômica”, diz.

O autotreinamento, aquele sem a presença de professores, lidera no segmento de EAD no setor privado, com 76%. Cursos à distância com professores representam 24% do total. Já no setor público, o cenário é diferente: 78% dos treinamentos são realizados com professores e em 22% deles o profissional não recebe ajuda de tutor. Conforme afirma Fernando Cardoso, “um dos motivos deste fato é a carga horaria, pois nas empresas privadas, o e-learning tem, em sua maioria, carga horaria curta, entre uma e duas horas”.

Universidades corporativas

O estudo observou a relação do tamanho da organização com a necessidade de se instalar uma universidade corporativa em suas dependências. Quanto maior a empresa, maior a porcentagem com universidade corporativa. Do total de corporações com mais de 5 mil colaboradores, 47% possui o próprio centro de formação profissional.

Fonte: Assessoria de Imprensa da ABTD

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