
Hoje, a IA deixou de ser um recurso periférico e passou a integrar a estrutura estratégica das áreas de aprendizagem.
A maioria das equipes de T&D já utiliza IA em seus processos, muitas delas de forma consistente e integrada à operação.
No Brasil, essa adoção ganha ainda mais força diante de uma realidade conhecida: pressão por produtividade, equipes enxutas e a necessidade constante de desenvolver pessoas em menos tempo.
Não se trata apenas de tecnologia. Estamos falando de uma mudança profunda na forma como as organizações constroem competências.
1. Do criador de conteúdo ao arquiteto de capacidades
O primeiro grande ponto de transformação está no papel do profissional de T&D.
Durante anos, boa parte da rotina foi consumida pela produção manual de conteúdo: montar apresentações, revisar textos, adaptar roteiros, organizar materiais. Com o avanço da IA, essas tarefas começam a ser automatizadas, liberando tempo para aquilo que realmente gera valor.
Surge, então, um novo posicionamento profissional. Menos executor e mais estrategista. Menos foco no formato e mais atenção ao impacto. O profissional de T&D passa a atuar como um arquiteto de capacidades, responsável por alinhar desenvolvimento de pessoas às prioridades do negócio.
No contexto brasileiro, esse movimento é ainda mais relevante. As áreas de RH e T&D costumam operar com estruturas reduzidas, acumulando funções. A IA funciona como um reforço importante, ampliando a capacidade de entrega. O desafio está na qualificação desses profissionais: saber usar IA com critério, interpretar dados e aplicar a tecnologia de forma ética deixou de ser diferencial e passou a ser parte do papel.
2. Da adoção individual à institucionalização dos fluxos de trabalho
O segundo ponto está relacionado à maturidade do uso da IA nas organizações.
O que antes era curiosidade individual ou teste isolado começa a se transformar em prática institucional. Equipes passam a criar fluxos de trabalho, guias internos e playbooks para o uso da IA no desenvolvimento de conteúdos e experiências de aprendizagem.
Os ganhos são claros. Processos que antes levavam semanas podem ser realizados em dias. Atividades como criação de avaliações, roteiros, comunicações internas e narrações ganham velocidade, sem necessariamente perder qualidade.
No Brasil, isso faz diferença especialmente em setores com alta rotatividade, como varejo, serviços e operações de atendimento. A capacidade de gerar treinamentos de forma rápida e padronizada permite escalar qualidade sem aumentar o tamanho das equipes. Quando a IA deixa de ser um atalho e passa a fazer parte da engrenagem, o T&D se torna mais consistente e previsível.
3. IA agêntica e os limites do LMS tradicional
O terceiro ponto aprofunda o debate tecnológico.
Estamos entrando na era da IA agêntica, em que sistemas não apenas executam comandos, mas tomam decisões. Tutores inteligentes capazes de identificar dificuldades, adaptar conteúdos e personalizar jornadas de aprendizagem em tempo real já começam a fazer parte do cenário.
Esse avanço coloca em xeque o papel do LMS tradicional. Plataformas rígidas, pouco integráveis e centradas apenas na gestão de cursos passam a mostrar limitações diante de experiências de aprendizagem mais dinâmicas e personalizadas.
No contexto brasileiro, o desafio é significativo. Muitas empresas ainda dependem de sistemas antigos e enfrentam barreiras técnicas e de governança para integrar soluções de IA. Avançar nessa direção exige diálogo entre T&D, RH e TI, além de uma visão mais integrada sobre tecnologia, aprendizagem e estratégia de negócio.
4. ROI, personalização e a redução do tempo até a produtividade
O quarto ponto é o que mais chama a atenção da liderança.
Se antes o principal benefício da IA em T&D era a economia de tempo, agora o foco se desloca para impacto direto nos resultados do negócio. Redução do tempo de onboarding, aceleração da curva de aprendizagem e personalização em escala ganham protagonismo.
Diminuir o tempo que um novo colaborador leva para se tornar produtivo muda completamente a equação. No Brasil, onde esse período representa um custo elevado para as empresas, a IA ajuda a transformar o Treinamento e Desenvolvimento em um vetor de resultado, conectando aprendizagem diretamente à performance e à lucratividade.
Quando o treinamento acelera a entrega e reduz o tempo de rampa, ele deixa de ser visto como despesa e passa a ocupar um lugar estratégico dentro da organização.
O que esse cenário nos ensina
O avanço da IA em Treinamento e Desenvolvimento deixa um aprendizado claro: o diferencial não está em grandes orçamentos ou em tecnologias sofisticadas por si só, mas na capacidade de reduzir fricções, simplificar processos e acelerar a construção de competências de forma inteligente.
No contexto brasileiro, isso significa abandonar programas longos e genéricos e investir em soluções mais práticas, conectadas às funções reais e aos desafios cotidianos das equipes. A IA ajuda a ganhar escala, velocidade e precisão, mas não substitui o pensamento estratégico nem o entendimento profundo das pessoas.
Mesmo com todo o desenvolvimento tecnológico, é fundamental lembrar que a IA não aprende sozinha, não define propósito e não cria sentido. Tudo o que ela entrega é resultado de decisões humanas, dados produzidos por pessoas e objetivos definidos por organizações. E, no fim, todo esforço de aprendizagem continua sendo para pessoas reais, com contextos, limitações, emoções e expectativas diferentes.
A tecnologia pode recalcular rotas, sugerir caminhos e otimizar processos, mas são os seres humanos que definem o destino. Em T&D, isso significa que a IA potencializa o trabalho, mas não substitui a escuta, o olhar crítico, a empatia e a capacidade de interpretar a cultura e a estratégia do negócio.
Talvez a melhor analogia para esse momento seja a transição dos mapas de papel para os sistemas de GPS. A rota se torna mais dinâmica, personalizada e eficiente, mas alguém ainda precisa decidir para onde ir, por quê e com qual objetivo. A IA acelera o caminho. As pessoas dão o sentido.
E é exatamente nesse equilíbrio entre tecnologia e humanidade que o Treinamento e Desenvolvimento encontra seu verdadeiro valor.
Referência: elearningindustry.com
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