“Em um roteiro, você sabe dizer o que é: Storyline, Sinopse, Cabeça de Cena, INT e EXT, Rubrica e Legenda? Parece besteira, mas é muito importante saber que maça chama maça e laranja chama laranja. Caso contrário, ao fazer uma “salada de frutas”, você poderá colocar jiló ao invés de kiwi”

O passo seguinte para você que vai trabalhar elaborando roteiros é se familiarizar com os nomes técnicos utilizados no processo. É muito importante saber como cada coisa é chamada para desenvolver o trabalho da maneira correta. Esse é um post simples, mais didático mesmo. Você pode imprimir uma cópia e guardar para consultas enquanto memoriza todos os nomezinhos.

Vamos lá. O primeiro nome para entendermos é a diferença de vídeo e filme. O vídeo é dado para o produto audiovisual captado com câmeras digitais ou em fita. E sua captação é chamada de gravação. O filme é o produto captado em película, utilizado muito no cinema, ainda. Filmagem é como chamamos a captação em película. Então, cuidado quando for falar em gravação, filmagem, vídeo ou filme.

Agora vamos para os nome utilizados no dia-a-dia do roteirista:

Storyline
É a história definida em uma ou duas linhas no máximo. Para fazer um storyline você não precisa se preocupar com os detalhes da história, reviravoltas ou grande sacadas. Tudo isso só precisa aparecer na história em si. Aqui você precisa apenas dizer qual é a essência.
Exemplo: Por meio de uma caça ao tesouro o público vai aprender as técnicas de vendas de consórcio.

Nesse exemplo você pode imaginar quem será personagem tutor, qual ambientação da história e qual a metáfora principal utilizada no curso. Mas você não sabe se enfrentaremos piratas, cairemos em ilhas desertas ou se nosso barco é de madeira ou um submarino. Esses detalhes não importam no storyline.

Sinopse
Na sinopse você pode incluir mais alguns detalhes que ilustram bem a história. Agora sim você pode mencionar algumas das grandes sacadas que seu roteiro terá, os momentos divertidos, as surpresas, etc. Claro que não precisa se aprofundar muito, apenas citar. Para ver com mais profundidade o público tem que ver a história pronta. Mas pela sinopse ele já terá noção do que esperar.
Exemplo: Antonio é um caçador de tesouros. Ao lado de seu fiel escudeiro bolinha, um cão, viajam o mundo atrás de todos os tipos de tesouro. Eles foram convocados para buscar o tesouro perdido deixado por um grande empresário. Os filhos do empresário não sabem onde foi parar o tesouro. Agora, Antonio vai se lançar nessa aventura e com ajuda do público buscará a Arca do Consórcio Perdido.

Cabeça de cena
É uma linha simples que vai indicar o número da cena e se ela será interna ou externa, de dia ou a noite.
Exemplo: Cena 1/Int/Noite.
Cena 10/Ext/Dia.

INT e EXT
São as abreviações de Interna e Externa e que indicarão o cenário das cenas. Utilizamos basicamente para indicar aos ilustradores, no caso do e-learning, como eles devem pensar no cenário e na iluminação. Para artistas que buscam a perfeição, a luz na animação é fundamental. Vamos aos exemplos. Cenas que vão acontecer dentro da casa são indicadas por INT, já que os personagens estão dentro da casa e a luz é artificial. As cenas que acontecerão fora da casa são indicadas por EXT, obviamente porque ou a lua ou o sol é que iluminarão o cenário. Se acontecer dentro de um carro, indicamos com INT, porque a situação acontece no interior do veículo. Se a cena acontece no deck do navio, tipo a cena do Titanic, indicamos por EXT, mesmo que os personagens estejam dentro do navio. O EXT porque não há nada que cubra a cabeça deles, ou seja, a iluminação será natural.

Rubrica
Rubrica é como chamamos as descrições das cenas e das ações. Existem as rubricas dos personagens que consistem em descrições de movimento ou expressão especifica para um momento. Para fazer uma Rubrica não tem segredo, é só escrever passo a passo como deve acontecer uma cena. Tudo o que não for importante para a cena, nem será utilizado pelo animador, você deve excluir e deixa apenas as informações essenciais.

Exemplo: Cena 2/Externa/Dia
Antonio está caminhando pelo deserto segurando um mapa. Expressão de cansaço, com o suor escorrendo por causa do calor.
Balão com pensamento de Antonio esmaece na tela.

Se outra ação acontecer nessa cena, como por exemplo depois de um pensamento de Antonio aparece um jipe em alta velocidade que cruza o deserto, basta você criar outro parágrafo e escrever a nova rubrica. A mudança para outra cena só será necessária se houver mudança de cenário ou no tempo, como por exemplo Antonio adormecer ao sol e acordar só a noite. Nesse caso, é preciso criar outra cena e indicar NOITE.

Legenda
É a indicação de texto que vai trazer uma orientação para o público seguir com o curso. Nessa parte, o texto escrito será o que aparecerá na tela. Dessa forma, é preciso muita atenção para que a linguagem seja adequada ao público. Vamos explicar melhor. A Rubrica será lida pela equipe e por isso devemos usar uma linguagem mais técnica, com informações para a produção. A legenda será lida pelo público, portanto as palavras tem que se adequar ao estilo do curso e ao perfil do público.

Uma dica importante é prestar atenção para que os textos da legenda mantenham sempre o mesmo estilo, do começo ao fim da história. É comum as vezes errarmos na escrita ao longo do roteiro, e isso pode passar a sensação de que a história mudou em seu percurso. Por exemplo, adotamos um estilo mais bem humorado, mas ao longo da história o humor some e as legendas ficam sérias, provocando o desinteresse do público.

Bruno R. Módolo é roteirista e sócio da Garoa Fina, um estúdio dedicado ao desenvolvimento de roteiros e histórias para TV, Cinema e Publicidade. Entre os principais trabalhos da empresa estão o documentário Rompendo o Silêncio, com o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, o reality show Menina Fantástica para a TV Globo e o roteiro de animação Back Home, selecionado para o 13 Laboratório Internacional de Roteiros SESC Rio.

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