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Reavaliando a Abordagem dos Estilos de Aprendizagem

É importante observar que, embora existam pesquisas e artigos que desafiam a validade dos estilos de aprendizagem, também há muitos artigos revisados por pares que os citam e validam. Além disso, muitos programas de formação de professores nos EUA apoiam sua utilização, o que resulta em uma força de trabalho atual que foi ensinada, desde criança, a acreditar que possui um estilo de aprendizagem. Mas é preciso sempre reavaliá-los e apresentar uma visão abrangente da realidade dos estilos de aprendizagem tal como são aplicados atualmente.

Modelos e Teorias de Estilos de Aprendizagem

Existem diversos modelos e teorias de estilos de aprendizagem, alguns mais robustos do que outros. Sua popularidade muitas vezes não se baseia em validação científica, mas sim em apelos pessoais. No entanto, todos esses modelos têm em comum sua origem no ensino fundamental, médio e em ambientes acadêmicos.

VARK – Visual, Auditivo, Leitura/Escrita e Cinestésico

O modelo VARK é o mais popular até hoje. Foi desenvolvido com base nas observações do professor Neil Fleming, que, após assistir a inúmeras aulas no sistema educacional da Nova Zelândia, fez algumas suposições sem um rigor científico particular. Ele criou o questionário VARK com base nessa experiência.

Inventário de Estilos de Aprendizagem de Kolb (LSI)

Em 1976, David Kolb propôs a utilização de uma avaliação para identificar e descrever como as pessoas aprendem e lidam com ideias e situações. Kolb elaborou sua teoria da aprendizagem experiencial com base no trabalho de diversos outros teóricos. Seu Inventário de Estilos de Aprendizagem (LSI) categoriza os estilos de aprendizagem em quatro tipos: Experiência Concreta, Observação Reflexiva, Conceitualização Abstrata e Experimentação Ativa.

CE: Experiência Concreta (sentir, em oposição a pensar)
Foco em estar envolvido em experiências e lidar com situações humanas imediatas de uma forma pessoal. Essas pessoas são boas em se relacionar com os outros e tomam decisões intuitivas.

RO: Observação Reflexiva (observar, observar, compreender, em oposição à aplicação prática).
Essas pessoas gostam de olhar as coisas de diferentes perspectivas e apreciar diferentes pontos de vista.

AC: Conceitualização Abstrata (pensar em oposição a sentir)
O uso de lógica, ideias e conceitos. Construir teorias gerais em vez de compreender intuitivamente áreas específicas e únicas. Uma abordagem científica versus artística dos problemas.

AE: Experimentação Ativa (fazer)
Influenciar ativamente pessoas e mudar situações. Aplicações práticas em oposição à compreensão reflexiva. Fazer em vez de observar. (Kolb, 1976).

Por que os Estilos de Aprendizagem Persistem

Apesar de haver pesquisas e meta-análises que questionam a eficácia dos estilos de aprendizagem, eles ainda são amplamente utilizados. Existem algumas razões para isso:

Estilos de aprendizagem são frequentemente associados a estratégias de estudo, ajudando os professores a adaptar o ensino para tornar o aprendizado mais acessível aos colaboradores. No entanto, isso pode limitar a flexibilidade de aprendizado dos alunos quando enfrentam desafios diferentes que exigem abordagens variadas.

Os estilos de aprendizagem se tornaram crenças arraigadas. A ideia de reconhecer seu estilo de aprendizagem pode levar os adultos a aderirem a essa crença, impedindo-os de adotar métodos mais apropriados em contextos de aprendizagem específicos.

Programas de formação de professores continuam a promover o uso de estilos de aprendizagem, o que contribui para sua proliferação nas escolas e faculdades.

O Caminho para Designers Instrucionais

Independentemente do ambiente de ensino, as atividades de treinamento e aprendizagem devem se concentrar nas tarefas de desempenho. Desde 1965, Robert Gagné identificou a melhor abordagem de ensino em seu livro “The Conditions of Learning,” que se concentrou na aquisição de habilidades e resultados de aprendizagem. Seu trabalho resultou no modelo mais abrangente de Design Instrucional: os Procedimentos Interserviços de Design de Sistemas Instrucionais (IPISD).

Portanto, o foco deve estar em projetar atividades de aprendizagem que promovam o desenvolvimento de habilidades e resultados de desempenho, independentemente dos estilos de aprendizagem. Isso garantirá uma abordagem mais eficaz e abrangente para o treinamento e desenvolvimento de colaboradores.

 

Fonte: https://elearningindustry.com/

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